terça-feira, 5 de maio de 2009

TEXTO LEGAL


FOTOGRAFIA: Bráulio Vinícius Ferreira.

Mais um texto que não é de minha autoria que posto aqui no blog.
Tentei levantar informações na "rede" e tudo indica que a autoria é - realmente - do jornalista Alexandre Garcia.
Leiam com atenção.

SENTAR-SE À JANELA - Alexandre Garcia. - 06/03/2009 16h40
http://mais.uol.com.br/view/e8h4xmy8lnu8/sentarse-a-janela--alexandre-garcia

Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião.A ansiedade de voar era enorme.Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar ovôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cadavez mais rápido até a decolagem.Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens,chegando ao céu azul.Tudo era novidade e fantasia.
Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde oinício, voar era uma necessidade constante.As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, aestar em dois lugares num mesmo dia.No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhosde menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava deesperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa etal.O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão deme sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidadesabaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse.
Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápidoe sair rápido.
As poltronas do corredor agora eram exigência . Mais fáceis para sairsem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora,com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem,comigo mesmo.
Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, estava eu louco paravoltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitibao mais rápido possível.O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, naúltima poltrona.Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque.Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela.Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar.
E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vezque voara.
Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga.
Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pelachuva, apareceu o céu.Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, quebrilhava como se tivesse acabado de nascer.Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estavadeixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista.
Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minhavida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, porexemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, domeu trabalho e convívio pessoal?
Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pelajanela da nossa vida.
A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos oque há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias,tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos.
Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar,sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas quea viagem nos oferece.Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas docorredor, para embarcar e desembarcar rápido e 'ganhar tempo', pare umpouco e reflita sobre aonde você quer chegar.
A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não éanunciada pelo comandante.Não sabemos quanto tempo ainda nos resta.
Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perdernenhum detalhe.
Afinal, 'a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos'.

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