sábado, 2 de fevereiro de 2013

O VISUAL DO VINIL, Por José Maurício.







Hoje tenho a honra de publicar um post mais que especial do meu amigo José Maurício. Zé Maurício, como é conhecido pelos alunos e colegas da UEG, é uma daquelas figuras emblemáticas e carismáticas. O número de homenagens nas formaturas das turmas da Arquitetura da UEG prova minha tese.

Convidei o José Maurício para colaborar no blog escrevendo sobre rock, música, enfim o que desse na telha e  ele começou muito bem com um post super bacana sobre capas de vinil.

A leitura é fácil e revela mais uma qualificação do meu amigo:  enciclopédia do rock.

A ideia é começar uma seção de colaboradores, por acaso a seção dele ainda não tem nome, quer sugerir? Deixe um comentário na postagem, quem sabe o nome escolhido não ganha um presente bacana do Blog?

Boa Leitura, obrigado Zé.


Long Play (vinil) x Compact Disc (CD)

Provavelmente, você já ouviu essa discussão antes, os audiófilos consideram que o vinil reproduz o som com mais fidelidade que o compact disc, pois sendo uma mídia analógica possui graves mais “profundos” com freqüências inaudíveis, mas que pode ser sentida pelo corpo humano.

Defendem que isso também acontece nos sons agudos, já que o CD está limitado em 48.000Hz e, embora nosso ouvido só possa detectar sons até 16.000Hz, o corpo é capaz de sentir acima dessas freqüências. Já os defensores do CD minimizam essas diferenças em função da comodidade da tecnologia digital.

Não, não iremos discutir as vantagens e desvantagens dessas mídias, no nosso caso o LP é quatro vezes melhor que o CD: nosso assunto é a capa.

O tamanho maior proporciona a inclusão de posters (geralmente 90x60cm), a desmontagem da capa como na primeira edição do Expresso 2222 de Gilberto Gil ou o Canto das Três Raças da Clara Nunes.

Um Lp do Rick Wakeman chamado No Earthly Connection de 1976 tem fotos distorcidas na capa e contra capa e instruções para a montagem de um cilindro espelhado (a partir de uma folha contida no álbum) que quando colocado no centro da foto faz a correção mostrando o rosto do tecladista.

Em alguns casos a comunicação visual da capa é tanta que o nome do disco é esquecido em função da força da capa (é o caso do Atom Heart Mother do Pink Floyd, mais conhecido como o “disco da vaca”). Temos ainda o picture disc onde a foto da capa é estampada no próprio vinil. Com o advento das câmaras digitais a capa do Lp ganhou uma nova utilidade que já tem até site: o sleeveface (troca-se a face do fotografado pela do artista na capa). Tem uma história engraçada que envolve esse site e a captura de imagens da internet, já contada aqui no blog. Existe também a montagem feita com dois ou mais LPs “emendando” as fotos.





Poderia começar com o disco Axe Victim do Be Bop Deluxe (um disco que comprei pela capa e só fui ouvir em casa). Se gostei? A capa contava o som contido no disco: rock puro, guitarra matadora! 


Ou pela capa simples do “álbum branco” dos Beatles que traz apenas a inscrição The Beatles em alto relevo. Ou ainda por uma capa antológica do Pink Floyd mostrando um prisma decompondo uma luz branca em vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta (curiosamente o anil não aparece).

Começarei pelo disco que, segundo muitos, elevou aquele espaço de 32x32cm de envelope de LP à categoria de arte, embora já existisse muita arte antes dele: The Velvet Underground & Nico, com capa de Andy Warhol o artista pop produtor da banda que forçou a entrada da vocalista Nico na gravação do LP de estréia do grupo. Uma banana ilustra a capa com a inscrição “Andy Warhol” no canto inferior direito. Na primeira edição havia uma inscrição após uma seta indicando o talo da fruta: PEEL SLOWLY AND SEE, ou seja, descasque vagarosamente e veja. Acontece que a banana era um adesivo que escondia a imagem da fruta descascada e em tom rosa, um símbolo fálico. Com a dificuldade de se colar o adesivo disco por disco, nas outras edições a idéia foi abandonada. O disco foi marcado por brigas na justiça. Já na primeira edição, vieram os problemas com a contra capa que por conter imagem não autorizada do filme “Chelsea Girls” de Paul Morrissey e do próprio Warhol forçou a gravadora a recolher o disco. Além disso, muita gente desavisada achou que o disco era de Warhol fazendo com que na segunda edição o nome da banda e de Nico figurasse na capa. Os temas pesados das letras também causou problemas pois muitas lojas se recusaram a comercializar o disco e algumas emissoras de rádio proibiram sua execução. Tudo isso contribuiu para que o disco não fosse um sucesso comercial quando do seu lançamento, mas uma frase atribuída a Brian Eno resume a influência que o disco exerceu: “Poucas pessoas compraram Velvet Underground & Nico, mas quem comprou, montou uma banda".

Passados quarenta e cinco anos, esta capa ainda frequenta os tribunais. Em setembro o velvet underground perdeu uma ação que reivindicava os direitos autorais sobre a capa de Andy Warhol em favor do Velvet, alegando que a banana se tornara um ícone da banda.

E o disco? É um dos mais influentes para a cena underground, não se espante se você ouvir bandas modernas com um som que lembra o velvet underground. Sua lista de influenciados inclui David Bowie, Iggy Pop, Radiohead e Nirvana. A quarta faixa do lado A (o vinil tem dois lados!), venus in furs é minha preferida. Possui uma guitarra com uma afinação diferente inventada por Lou Reed. Destaques também para Femme fatale (com o vocal da modelo Nico) e a sufocante Heroin (cantada por Lou Reed).

DETALHES:
A lista dos melhores discos de todos os tempos da revista Rolling Stone coloca Velevet Underground & Nico na décima terceira posição.
Se você estiver com sorte, ainda poderá encontrar a edição original do disco no ebay com a banana por ser descascada custanto apenas USD 1.200,00 e com frete grátis.
Ao abrir meu disco (picture disc) lacrado do Velvet, para este artigo, descobri que no fundo da capa aparece a banana descascada.
A capa do Sticky Fingers (1971) dos rolling Stones também foi criada por Andy Warhol.

7 comentários:

  1. Bom texto, Zé! Só vou fazer uma observação sobre a falta do anil na capa do Dark Side.
    As cores mundialmente aceitas como partes relevantes do arco íris são apenas as 6 da capa do disco. Na verdade, o anil é uma cor que só existe no arco-íris discreto brasileiro apenas para fins mnemônicos (facilitando a memorização), para que as iniciais das cores formassem VAAVAAV. O mesmo acontece para o método mnemônico em inglês, em que eles adicionam o "Indigo", o azul escuro clássico da calça jeans, para formar com as iniciais "Roy G. Biv". The more you know...

    Bidas

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Conversar com o Zé é como abrir uma enciclopédia musical, só que bem melhor. As informações misturadas à histórias e com fundo musical tornam os fatos bem mais interessantes.
    Lembro de um dia conversarmos só sobre capas de disco, é fantástico vê-lo apresentar as capas como obras de arte.
    As capas feitas por Andy Warhol são as mais inusitadas e bem produzidas, no disco Sticky Finger citado, assim como o "o disco da banana" foi também tirado de circulação por ser muito complicado para reproduzir. No caso dos Stones,o Zeeper que enfeitava a capa estragava o disco, passando a ser impresso. Mas sem dúvida, são as duas capas mais interessantes do mundo da música, a que consegui comprar do Stones foi por indicação do Zé, que me alertou - compre senão compro eu, é uma capa lendária...! - E aí seguiu as narrações da enciclopédia melhorada e foi mais uma tarde bacana!

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  4. Rock do Zé ou Pergunte ao Zé. São as minhas sugestões de nomes para a seção do José Maurício. Ele é um Google dos assuntos relacionados ao Rock. Sair da "grande" Anápolis e ficar 2 a 3 dias em São Paulo ou no Rio de Janeiro para visitar sebos de discos só mesmo sendo muito apaixonado pelo que faz. Adorei o texto de estreia da seção e fiquei curiosa em ver estas capas. Na próxima vez que eu for a Anápolis vou querer vê-las, certo José Maurício??? Dulcirene Aires

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  5. Fico muito feliz em ler esse artigo do grande José Mauricio e ainda por cima, sobre essa temática! Foi um presente e tanto que o Blog está nos proporcionando, logo não aguentei e resolvi expor meu ponto de vista também!!!!

    Eu vivi o meio de toda essa situação, fui criado junto a LP´s, muitas fitas K7 e acompanhei início da produção fonográfica do CD. Quando moleque, pegava alguns LP´s emprestados de amigos, e lembro-me que passava horas procurando detalhes na capa dos discos, como no “PowerSlave” do Iron Maiden, ou na capa original do Appetite for “Destruction” do Gun´s N´Roses, ambos com tantos detalhes que acabavam os discos e ainda estava fascinado por suas capas.

    Assim como existem aquele LP´s e suas capas horríveis, como, por exemplos, aqueles infinitos discos do Erasmo Carlos, ou do citado Chico Buarque, que mudavam apenas a tipografia do nome do artista, a foto e o volume.

    Sempre fui um cara apaixonado por programação visual em discos e acredito que hoje, havendo empenho, é possível fazer trabalhos incríveis no tamanho 12x12cm, cito, por exemplo, o lindo trabalho do álbum de estréia da Maria Gadú e o álbum Liebe Is Für Alle Da” da banda alemã Rammstein, ambos com misto de papéis, cores, relevos, brilhos que deixam qualquer um fascinado.
    Meu momento divisor de águas, foi quando encontrei o vinil do álbum “Dookie” que os americanos do Green Day fizeram em 1994, quase fiquei maluco, ao conseguir ver os micros desenhos da capa e conseguir entender seus detalhes!

    Depois disso, creio que consigo conviver bem com os dois, compro os discos que visualmente me causem mais impacto, e também faço muito questão de comprar um disco pela capa, assim como deixo de comprar muitos pelo mesmo motivo, principalmente alguns digipacks que tentam nos empurrar goela abaixo, como o “Suck it and See” dos Arctic Monkeys, que é um ótimo álbum, mas com uma arte gráfica fraca com acabamento de cartolina barata, então, ouçam, mas não comprem!

    Ah, sonoramente é assunto para outra conversa mesmo!!!

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  6. Muito interessante. Viu,não me esqueci o nome hehe

    Ass: Fernando Gonzaga (Gordo)

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  7. Fui aluno do Zé Maurício e me lembro que sempre falávamos sobre música. Uma vez pedi a ele que gravasse para mim uma fita com algumas boas musicas. Lembro que tinha ELO, Pholhas, Rolling Stones, Pink Floyd, e outros seguindo essa linha. Com certeza o Zé e uma grande referencia no assunto. Ze, grande abraço!

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