domingo, 20 de setembro de 2015

Michio Kaku, uma entrevista pra lá de interessante!

Entrevista com Michio KAKU, físico norteamericano, professor do City College University of New York, autor de 8 livros, participante de revistas e de programas de radio e de TV. 68 anos de idade em 2015; nascido na Califórnia de pais japoneses. 

O artigo saiu na revista Exame, de Portugal, em abril de 2015, p. 18 a 29.

Para ele, a ciência é o motor da prosperidade. Cientistas têm visão diferente da de políticos e de advogados. A essência do Direito é processar Pedro para pagar Paulo; economistas, políticos e advogados só falam de política fiscal e não sabem outra coisa. A ciência quer que o bolo aumente de tamanho. Como? Criando novas industrias... espírito inovador.




A Europa é rica, desenvolvida, tem cientistas. Lá, se o cientista é novo e comete erro, está
acabado. Ele não tem segunda chance; o erro é como uma nódoa que não sai. Nos Est. Unidos ninguém quer saber de seus pais, que escolas você freqüentou e os erros que você cometeu. Para eles, se você não cometeu erros, não tem qualquer valor.

O mundo está mudando de capitalismo baseado na transação de mercadorias para um
capitalismo de bens intelectuais. A agricultura é produzida e negociada no mundo inteiro e os preços baixam. Mas o capital intelectual é cada vez mais precioso. Bens agrícolas podem ser produzidos em massa, mas não se pode produzir em massa as mentes. É um trabalho enorme: escolas, universidades, aprimoramento. Isto já começou.

A alteração climática do planeta é real, mas é lenta. Coisa de 30, 40 anos. Fala-se de desigualdade social. Nos Est. Unidos, um terço da população vive bem; os outros dois terços estagnaram ou estão em piores condições de vida. Veja o nível escolar: UM TERÇO FOI PARA UNIVERSIDADES e preparou-se para a nova economia; os restantes não foram para a faculdade ou andaram por lá mas não se integraram.

Temos de encorajar a inovação, reduzir impostos para empreendedores e inovadores, incentivá-los a produzir novos produtos. Os políticos querem cobrar impostos e desconhecem esta realidade nova.

Por que tantas inovações surgem nos Estados Unidos? Não é da genética, claro. É que a cultura de
lá estimula o empreendedorismo e o risco, perdoa o erro e reconhece o peso da ciência.

É difícil calcular o valor de um produto hoje. Há muitas variáveis e o custo é estimado. O intermediário hoje (por exemplo: corretor de imóveis) vende capital intelectual: experiência, conhecimento, análise, inovação, criação. Você pode comprar imóvel na Internet, mas o corretor conhece as escolas da área, seu tipo, se o local abriga criminosos. A inteligência artificial é incapaz disso, pois se trata de capital intelectual. O robô é bom em trabalho repetitivo; o homem trabalha com o senso comum.

Robô não faz jardinagem, não consegue construir uma casa porque cada planta é diferente. Os inovadores e os criativos não terão problemas: músicos, atores, escritores, comediantes, analistas, cientistas e engenheiros [ele não incluiu arquitetos...], quem fornece capital intelectual.

A industria de mídia (jornal, cinema, TV) será digital. A industria musical já é assim. As próximas
mudanças serão em saúde, educação, comércio e transportes.  A educação será digitalizada. Os professores ficarão desempregados? Não! As pessoas querem aprender com os melhores e vão para Internet; aí as taxas de abandono são de 90% ! Porque os seres humanos gostam de serem orientados, aconselhados. Eles querem pressão e interação social. É assim que se aprende; então haverá mistura de cursos online com orientação e monitoria presencial.

A Rússia investiu numa mercadoria: o petróleo. Se ele baixa, o país afunda. A China criou um
programa de ensino chamado CUSPEA, que manda profissionais para os Est. Unidos e, quando
voltam, eles começam indústrias, inventam produtos. Eles sabem que ciência e tecnologia são a
chave do futuro e querem produzir bens sofisticados e em massa para a economia moderna.

A ciência do século XIX era inglesa; a do século XX foi alemã. Com a 2ª. Guerra a Rússia e os Estados Unidos ficaram com a nata dos cientistas alemães, mas perderam o gás e a Europa está adiante em ciência, embora com um mercado cheio de normas e de impostos [lembra o Brasil!].

O sistema educacional veio da Grecia Antiga e tem problemas orgânicos, com sindicatos no meio. O sistema americano é bom, mas o ensino secundário deles é fraco e ficou travado nos anos 60 e 70. Aí começou o movimento anticiência. No entanto, desde o século XIX, Marx e Lenin deram ênfase à ciência; agora a esquerda aderiu à anticiência. É o preço que a ciência paga pelo seu sucesso.

As pessoas vão ao Google para ler aquilo de que gostam, não para lerem páginas de cientistas.
Lá as celebridades [leigas] dão opiniões sobre saúde, como se fazia na era paleolítica e lá tem gente vendendo “banha de cobra”...

A miniaturização de chips está no limite e em 20 anos podem surgir os transistores moleculares. Aí a evolução dos hardwares entra em crise, mas o software continuará a avançar pois se baseia na mente humana.

Hoje exploramos 5 a 10 % das capacidades do nosso cérebro e continuamos precisando de computadores para tarefas repetitivas; nisso eles são milhões de vezes mais rápidos. O cérebro é capaz de coisas que o Google não faz: imaginação, criatividade, análise e valores humanos. Então deixemos cada macaco no seu galho.

A Internet abriga criminosos, sim. Porque eles fazem parte da sociedade; esse jogo do gato e do rato vai existir sempre. No futuro teremos redes privada de Internet, pagas e caras, 100% seguras, pois usarão laser cujos feixes detectam interferências. 

O futuro é imprevisível. O robô de hoje tem a inteligência de uma barata, depois terá a de um rato, de um cão, de um macaco. Aí botaremos um chip para evitar que se tornem perigosos e, lá no século XXII os robôs removerão este chip! Aí tem a hipótese de nos fundirmos com eles e ficarmos imortais! Teremos um disco com o genoma, que já existe. O segundo é o Connectome com nossas memórias, sensações e personalidade.

Nesta altura será possível recriar uma pessoa no computador. Mas quem vai querer viver dentro do computador? Quem quiser ser imortal! Na conquista de outros planetas enviaremos robôs e não pessoas.

Apesar de toda a tecnologia continuamos os mesmos homens e mulheres de 100 mil anos atrás; nossas necessidades e desejos são os mesmos. Não precisamos de reuniões e congressos, pois podemos falar por teleconferência; não precisamos dirigir carros durante horas. Por que fazemos isso? Porque é uma atividade de grupo; precisamos ter outros olhando para nós. É por isso que vivemos em cidades. À noite o homem das cavernas acendia fogueira e fazia figuras. Nós nos embebedamos ou fazemos facebook. Facebook é a fogueira do ciberespaço. Nossas necessidades ainda são as mesmas do Paleolítico: ter bom aspecto, ser atraente, popular e admirado.

A saúde tem sido a luta contra a doença e o sofrimento. No futuro ela será uma caminhada em direção à perfeição. Em 2100 seremos côo deuses gregos: corpo perfeito e imortal. Teremos lojas vendendo partes do corpo humano, vasos sanguíneos, pele, osso, bexiga, fígado, cibermedicinina.

Numa cabine com máquinas faremos exames e teremos diagnóstico. O médico fica para cirurgia
ou para ter uma segunda opinião. Lá para 2020 teremos energia a partir da fusão termonuclear. A energia solar ainda não teve resolvido o problema da bateria. Em mais 10 anos teremos o caos no setor de energia. 

Resumo por gildo.montenegro@gmail.com em 28-08-2015

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