quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Márcio Kogan assina casa em Miami









Madeira e concreto dão o tom da casa projetada por Marcio Kogan. Nos primeiros passos, mal se percebe a subida ou se desconfia do inesperado desfecho da caminhada. À medida que se avança por entre as tiras de madeira que delimitam o trajeto e conduzem o corpo e a visão à esquerda e à direita, porém, fica difícil ignorar o enorme paralelepípedo perfurado  suspenso no ar, destino inexorável de quem envereda por ali. Da metade da rampa em diante, a sensação de ascender – ou seria pairar? – sobre o espelho-d’água e em meio à folhagem e aos troncos tropicais é capaz de fazer muitos se esquecerem de onde estão. Mais alguns passos e curvas, contudo, e o visitante é trazido de volta à realidade (ou quase isso), com uma imagem de impacto. Quem aparece ao final do percurso, no horizonte emoldurado por uma espécie de túnel, é o Oceano Atlântico.

A rampa serpenteia acima de um espelho-d’água e em meio à vegetação do jardim tropical assinado pelo paisagista Raymond Jungles, correndo paralela ao térreo, onde ficam os quartos – ao centro, bancos de Hugo França e lareira da Fire Features.

A madeira que recobre paredes e teto do living ajuda a balancear o excesso de claridade que banha a ala social, com interior decorado por Jader Almeida, autor das poltronas Clad e Mad, do sofá Box, da mesa de centro Bank e dos pendentes Mush, entre outras peças – tudo para a Sollos, na Artefacto Miami.

A narrativa acima descreve a chegada ao coração – um grande living com sala de jantar e cozinha – da primeira residência assinada pelo Studio MK27, do paulistano Marcio Kogan, a ficar pronta nos Estados Unidos. Mais precisamente, no centro de Miami Beach, em um terreno estreito e comprido que parecia predestinado a receber uma obra deste vulto (são 1.115 m² de área construída). Embora o conjunto desemboque não na praia, mas no canal Indian Creek, o mar é visível dali por uma confluência única de fatores: para além do canal, há a célebre avenida Collins e, sorte suprema, nenhum edifício a obstruir o panorama, apenas um estacionamento público que provavelmente jamais será desativado. Atrás dele, só a água.

Posicionar a ala social no primeiro andar foi a opção encontrada para privilegiar essa vista, e ofereceu ao time de arquitetos* capitaneado por Lair Reis a chance de desenhar a rampa “totalmente inusitada”, segundo Kogan. “Ela é meio brasileira, tropical, o passeio é um filme”, comenta, sobre uma sinuosidade pouco presente nos trabalhos anteriores do escritório. “É uma casa menos minimalista do que o nosso normal”, continua, “uma adaptação ao  contexto local”. Para ele, o elemento com mais cara de Miami ali é o painel vazado do escultor austríaco Erwin Hauer – seu estilo modernista, com perfume art déco, evoca os anos 1940 e 1950, época de glórias e expansão da cidade. Esses cobogós cobrem um dos dois lados abertos da caixa elevada de madeira (o outro é encerrado por vidro e um terraço). Caixa esta, por sua vez, que se insere em outra, de concreto, como se a flutuar solta lá dentro. A ilusão de ótica não é mero truque estético. A inserção esconde a estrutura que sustenta o pavilhão.

Via Casa Vogue

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Todos os comentários são bem vindos.
Desde que não sejam comentários anônimos.