terça-feira, 29 de maio de 2018

Retrofit de conjunto de galpões é realizado em tempo recorde em São Paulo

Reaproveitar um antigo parque industrial e adequar a estrutura pré-existente a uma escola para 1.000 alunos, que seja moderna e respeite todos os aspectos pedagógicos solicitados pela contratante. Tudo isso dentro do prazo curtíssimo de pouco mais de 13 meses. Este foi o desafio enfrentado pela equipe da Barbara Construtora e Engenharia durante a construção da nova sede da escola bilíngue Beacon, no bairro da Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo.

O projeto segue um conceito retrofit, termo que tem sido cada vez mais citado no cotidiano dos arquitetos e engenheiros e que significa algo como “atualizar o antigo”, neste caso, a modernização da construção antiga. “São galpões que já foram indústrias, mas que tinham um patrimônio construído bem importante. Seria uma loucura jogar fora”, explica Vinicius Andrade, sócio-fundador da Andrade Morettin Arquitetos, responsável pelo projeto juntamente com a GOAA Arquitetos Associados.

A partir da proposta de aproveitamento do patrimônio construído, bem como da introdução de novos elementos, foi estabelecido um planejamento de obra de acordo com o curto prazo especificado. “Nossa primeira ideia foi pensar como se estruturaria um planejamento para a execução da obra em frentes de ataque. Então, a primeira ideia foi dividir em blocos”, afirma Francisco Santos, gerente de planejamento e controle da Barbara Construtora e Engenharia.

Dessa maneira, a obra foi separada em quatro blocos, cada um com sua tipologia construtiva. O primeiro bloco é uma estrutura mista metálica de três pavimentos com lajes pré-moldadas de concreto armado, onde ficariam as salas de aula. O segundo bloco é composto de biblioteca, laboratório e espaço da secretaria no primeiro pavimento. No segundo, salas de aula, também com o mesmo método construtivo.

Em seguida, um bloco com ginásio e espaço multiuso com auditório para 440 lugares, refeitório, salas de arte e música. Neste caso, há uma mistura de estrutura mista metálica com lajes pré-moldadas de concreto armado e estrutura metálica com laje steel deck. O quarto e último bloco é composto de salas de aula, biblioteca, área de atendimento aos pais, secretaria e coordenações. É onde mais houve aproveitamento da estrutura preexistente. Foi realizada também ampliação com estrutura metálica e lajes pré-moldadas e estrutura de concreto armado.

Para o cumprimento do prazo, o que foi estabelecido é que cada um desses blocos deveria funcionar simultaneamente em quatro frentes. “Em razão do tempo, a gente não teve como fazer uma sequência de atividades”, explica Francisco Santos, da Barbara Construtora, que destaca também a organização das equipes por meio de cores, de acordo com cada bloco, para facilitar a identificação. No auge da obra, trabalharam cerca de 150 pessoas no canteiro.

A opção por elementos pré-moldados foi outra solução fundamental para garantir a entrega da obra em fevereiro. “Praticamente, era uma montagem. Usamos estrutura metálica, lajes pré-fabricadas, painéis, fechamento de drywall e chapas de compensado naval pré-fabricadas, chapas de MDF, esquadrias de alumínio e vidro. Ou seja, componentes industrializados que integram o sistema construtivo leve e seco”, ressalta o arquiteto Vinicius Andrade, da Andrade Morettin.

Interferências indesejadas
A opção pelo conceito retrofit impõe desafios que outra obra talvez não tivesse. Logo nas etapas de escavação e cravação dos perfis metálicos, a equipe deparou com interferências indesejadas no solo. “Por mais que tenha sido feito o levantamento topográfico minucioso de todas as edificações existentes, o que estava enterrado foi descoberto aos poucos”, explica Marcio Pestana, coordenador de obras da Barbara Construtora.

Havia fundações e bases perdidas no meio do caminho que precisaram ser removidas, provavelmente resquício de alguma ponte rolante ou base de equipamento da época em que os galpões tinham atividade industrial. “Isso foi um percalço na questão de prazo, porque, em uma produção de cravação de perfil de nove ou dez unidades por dia, às vezes a gente não conseguia cravar essa quantidade”, afirma o coordenador.

No Bloco 3, onde as fundações de algumas alvenarias estavam comprometidas, foi feito um reforço estrutural com estaca mega, também conhecida como estaca cravada à reação ou prensada. Segundo o gestor de obras Luiz Fernando Caulada, foram utilizados três perfis de bate-estacas, com alturas diferentes, uma vez que cada um dos blocos possuía um pé-direito distinto.

Enquanto havia demolição e execução das fundações, período que durou de dois a três meses, todo o material da estrutura metálica estava sendo produzido. Nesse ponto, a confiança entre os parceiros comprometidos foi fundamental para o cumprimento das metas. “É necessário parceiros que realmente comprem a ideia do projeto de providenciar as coisas fora do canteiro para trabalharmos com uma quantidade maior de pré-montados e pré-fabricados possível”, ressalta Pestana.

Para organizar a operação, todo o material que chegava à obra era estocado no vão onde hoje fica o espaço multiuso, local em que haveria menos atividade. “Ali só fizemos um pouco de demolição e um reforço de telhado”, explica o coordenador de obras.

A estrutura metálica possuía destino diferente. Conforme chegava ao local, era descarregada próxima ao bloco adequado, devido à dificuldade de se transportar vigas e pilares em um canteiro. O restante do material foi todo transportado com o auxílio de um manipulador telescópico.

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Via Techne

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