sábado, 2 de março de 2019

Suécia encara desafio de mudar cidade de lugar

Planejadores urbanos e arquitetos da Suécia estão encarando um desafio para convencer os moradores de Kiruna a se mudar. Os 18 mil habitantes da cidade estão sendo deslocados para uma área 3,2 Km mais distante por conta das condições do solo que, explorado há quase 70 anos por uma mineradora estatal que vinha extraindo minério de ferro, está condenado e pode "engoli-la" lentamente

A mineradora Luossavaara-Kiirunavaara (LKAB) e o governo sueco estão transferindo mais de 20 edifícios significativos da cidade velha de Kiruna para o novo local, incluindo sua igreja, que foi eleita a construção mais bonita da Suécia. Tudo está sendo completamente desmontado e reconstruído.

O resto da cidade está sendo construído do zero, com novos prédios incluindo uma prefeitura projetada pela empresa escandinava Henning Larsen. O principal desafio para os arquitetos e planejadores da nova Kiruna foi compreender os elementos que contribuem para a história e a habitabilidade da cidade.

"Não é apenas mover uma cidade inteira, mas também mover a mente dos cidadãos e criar uma nova casa e identidade", disse a equipe de Henning Larsen. "A abertura da prefeitura marca o início do processo de mudança e a oportunidade de criar uma nova identidade social para a cidade".

"As coisas físicas são fáceis, de certa forma. Pequenos artefatos podem ser muito importantes em termos de algo que é tanto identidade quanto tem história. Estamos movendo a igreja e as pessoas perguntam: "e as bétulas?' Eu não entendi, são pequenas árvores, mas têm 100 anos, são tão antigas quanto a igreja. Então, agora estamos movendo as bétulas", explicou Göran Cars, urbanista do município de Kiruna.

A decisão de mudar a cidade de lugar surgiu em 2004, embora o governo sueco estivesse ciente do problema anos antes. Como o primeiro exemplo do mundo real de uma cidade do seu tamanho a ser realocada, ela poderia servir de modelo para outras cidades ameaçadas pelo mundo - até o final do século, estima-se que algumas das maiores cidades do mundo, incluindo Miami, nos Estados Unidos, Mumbai, na Índia e Cantão, na China, podem desaparecer. Calcula-se que as Ilhas Maldivas já devem ficar inabitáveis ​​até 2100.

"Kiruna não serve como modelo em termos de financiamento. É uma situação muito específica", disse Cars, referindo-se que, pela lei sueca, a mina tem que financiar a realocação das pessoas e tem fundos - e receita futura - para fazê-lo isso. Já para os habitantes de regiões costeiras do mundo, a situaçãonão é tão simples: não há uma organização rica por trás do problema e ninguém está disposto a pagar por sua solução.

Via Casa Vogue


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