sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Entenda como Veneza foi construída

Seja do ponto de vista do turista francês, da narrativa do filósofo Jean Paul Sartre, ou como ponto de partida das investidas desbravadoras de Marco Polo em suas Viagens, a cidade de Veneza faz parte de um imensurável repertório literário global, ocupando o lugar de objeto misterioso e belo que instiga qualquer um que se disponha a experienciá-la. Ela figura em livros de artes e história, quando o foco está nas grandes obras de arquitetura e artes visuais que a cidade carrega, ou quando há interesse nas divergentes e lendárias narrativas que dizem respeito à sua origem. Nos livros de ficção, a áurea calma de seus canais, as pequenas vielas, as cores e texturas de sua paisagem são plano de fundo para uma miríade de histórias imaginadas.

Apesar disso, Veneza é uma cidade que não se revela de imediato a um olhar desatento de passagem. Ao contrário do que sugere o alto fluxo de turismo de curta permanência que percorre o perímetro da Praça de São Marco em poucas horas e posa para uma foto com a vista da Ponte do Rialto, trata-se de uma cidade com inúmeras situações de interesse, edifícios e coleções artísticas impressionantes, uma população local resistente, tradições que buscam seu espaço de reafirmação, e uma história que fala de uma verdadeira empreitada técnica, isto é, construir uma cidade em um pântano, feito que rende à cidade um lugar em mais uma seção das bibliotecas: a de engenharia.

O relato preciso dessa história retoma o contexto do território que hoje conhecemos como a Itália no século V. Em meio à constante ameaça das guerras de expansão que colocavam em risco o norte desse território, a população se viu coagida a encontrar um novo local para a fundação de uma cidade que pudesse garantir isolamento e segurança em relação a este cenário. Do leste, vinha Átila com seu exército de hunos na empreitada de tomar a Europa central. Cem anos mais tarde, a pressão continuava imposta pelos povos eslavos e lombardos que tomavam direção para o norte. Foi esse contexto de verdadeiro cerco territorial que justificou a escolha por um lugar tão inóspito e aparentemente impossível de ocupar.

A laguna situada entre a terra firme e o Mar Adriático parecia representar um espaço seguro, que dificilmente seria acessado pelo invasor. No entanto, fundar uma cidade representava um desafio enorme em uma região pantanosa com pouquíssimas áreas secas, completamente tomada pela água e suas dinâmicas próprias. Àquela altura, sem dúvidas, a água era o problema a se enfrentar, o maior obstáculo para a consolidação de qualquer ocupação. Para isso, recorrendo a técnicas de antigos produtores de sal, os primeiros envolvidos com a fundação da cidade elegiam porções de terra seca sobre a água (pequenas ilhotas) próximas umas às outras e, no seu perímetro comum, delimitavam quadrantes com estacas de madeira colocadas muito rentes entre si. Essa técnica de recuperação de terra permitia secar as áreas demarcadas no pântano a partir da escavação de canais que permitiam o escoamento da água, estabelecendo, assim, as condições mínimas para a construção.

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Via ArchDaily

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