segunda-feira, 9 de março de 2020

Yvonne Farrell e Shelley McNamara recebem o Prêmio Pritzker 2020

Em 41 anos de história, segunda vez que apenas mulheres recebem o prêmio com o mais importante prêmio de arquitetura do mundo

As irlandesas Yvonne Farrell e Shelley McNamara são as vencedoras de 2020 do Pritzker, principal prêmio de arquitetura do mundo.

A dupla foi escolhida, segundo a organização da premiação, por ter um trabalho que se equilibra entre força e delicadeza, com projetos que trazem contemporaneidade ao mesmo tempo em que honram a história do espaço que ocupam.

“Elas demonstram uma incrível força em suas arquiteturas, mostram uma relação profunda com a situação local em todos os aspectos, estabelecem respostas diferentes para cada projeto ao mesmo tempo em que mantêm uma honestidade com as próprias obras”, disse o anúncio oficial da vitória.

Em 41 anos de premiação, esta é a segunda vez que apenas mulheres levam o título. Antes de Farrell e McNamara, apenas a iraquiana-britânica Zaha Hadid tinha sido contemplada com o Pritzker, em 2004, pelo seu “inabalável compromisso com o modernismo”, segundo o júri. Nas outras duas ocasiões que arquitetas foram contempladas -- Carmem Pigem, em 2017; e Kazuyo Sejima em 2010 --, elas dividiram a honraria com seus sócios, homens.


A trajetória da dupla
Yvonne Farrell (1951) e Shelley McNamara (1952) se conheceram na Escola de Arquitetura da Universidade de Dublin, na década de 1970.

As duas se formaram em 1976 e, dois anos depois, montaram o escritório Grafton Architects, batizado com o nome da rua em que era localizado à época. Desde 2015, Farrell e McNamara são professoras adjuntas de arquitetura na instituição na qual se conheceram.

Ao site do Pritzker, as duas contaram que o interesse pela arquitetura começou quando eram crianças.

“Meu despertar para a experiência arquitetônica foi uma visita que eu fiz quando criança em uma casa do século 18 na rua principal da cidade de Limerick [centro-oeste da Irlanda], onde minha tia vivia”, afirmou McNamara. “Isso me deu um senso de deslumbre sobre o que uma casa podia ser, e eu lembro claramente a sensação vívida de espaço e de luz, foi algo revelador para mim”, disse.

Farrell conta que um piano foi fundamental para despertar seu interesse pela arquitetura.

“Uma das minhas memórias mais antigas é a de estar deitada em um colchão no chão, embaixo do piano que tínhamos em casa”, disse. “Minha mãe estava tocando e eu lembro de ficar consciente sobre o espaço que estava preenchido com aquela música”, acrescentou.


A produção da dupla em 3 obras
Farrell e McNamara contam com uma longa carreira. O Nexo destaca abaixo três construções para se conhecer o trabalho da dupla que ganhou o Pritzker 2020.


Universidade de Kingston - Londres, Reino Unido - 2020
Entregue em fevereiro de 2020, o Centro de Ensino da Universidade de Kingston, em Londres, tem três andares e ocupa uma área total de 9.400 m².

O prédio serve como um centro cultural adjunto à Universidade de Kingston e conta com a principal biblioteca da instituição, estúdios, cafés e espaços de convivência entre os alunos.

O centro de ensino londrino aposta no concreto em seu exterior, com as vigas do material formando molduras nos três níveis do prédio.

Ao Arch Daily, as arquitetas afirmaram que o projeto foi feito com o desejo de incentivar o aprendizado informal entre os alunos e conectar a instituição à comunidade local do centro de Londres.




Biblioteca municipal - Dublin, Irlanda - 2018
Em 2018, Farrell e McNamara entregaram o projeto da biblioteca municipal de Dublin, capital da Irlanda.

A aposta também foi no concreto e em angulações inclinadas, seguindo os preceitos da arquitetura contemporânea. O Centro Cultural Parnell, que administra a biblioteca, publicou um comunicado oficial em seu site afirmando que o projeto foi guiado pelo objetivo de revitalizar o centro de Dublin.

O escritório da dupla recebeu 100 milhões de libras e um prazo de quatro anos para entregar o projeto, que ocupa 11 mil m² e tem seis níveis diferentes que abrigam os espaços de estudo e o acervo em si.



Universidade de Engenharia e Tecnologia - Lima, Peru - 2015
Em 2015, Farrell e McNamara entregaram o prédio principal da Universidade de Engenharia e Tecnologia do Peru.

Com 10 andares, o prédio tem seu exterior feito com placas de concreto, formando uma topografia artificial no bairro de Barranco, na orla de Lima.

Em descrição ao site Arch Daily, as arquitetas afirmaram que a inclinação do prédio foi feita para criar “uma ladeira feita pelo ser humano”, com um paisagismo que dá a aparência de um jardim vertical.











Uma breve história do Pritzker
O Pritzker é entregue anualmente desde 1979, e é considerado por muitos o “Nobel da arquitetura”. A iniciativa é até hoje financiada pela família Pritzker, uma das mais ricas dos EUA, proprietária da rede de hotéis Hyatt.

O Japão é o país que mais ganhou prêmios Pritzker – sete, ao total, com o mais recente sendo de Arata Isozaki, em 2019. Isozaki é conhecido por seu estilo futurista, com quantidades significativas de aço e vidro em seus trabalhos.

Os EUA ocupam a segunda posição na lista de países que mais receberam o Pritzker, com cinco prêmios. O mais recente foi em 2005, para Thom Mayne, que tem uma obra prolífica na Califórnia.

Dois brasileiros já ganharam o prêmio: Oscar Niemeyer (1907-2012), responsável por parte do projeto arquitetônico de Brasília, levou o prêmio em 1988. Paulo Mendes da Rocha, autor do projeto do Museu Brasileiro de Escultura, em São Paulo, venceu o Pritzker em 2006.

Via Nexo Jornal

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